quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Pequenos desatinos III

Desatinos meus

De maneira geral, todo mundo deve sonhar com alguma coisa, mesmo de forma inconsciente, todo mundo almeja por algo seja ele real, material, emocional etc...

O entranho é quando você apenas se da conta que esperava por algo quando encontra, é como se estivesse esperando mesmo sem saber o que, como se você não fizesse esforços para encontrar mesmo sabendo o que quer... e como se comemorasse como uma grande conquista algo que jamais pensou em ter.

Chega ser divertido ver como as pessoas são estranhas, como ao mesmo tempo sabem perfeitamente o que querem e ao mesmo tempo não sabem nada.

Eu achava que me conhecia quando fui apresentada a mim, e era tão diferente do que imaginava ser que cheguei a não saber nem quem eu era, agora não sei se me vejo como realmente sou, ou se sou o que os outros veem.

Sei que um dia vou encontrar essas e outras respostas mesmo sem procurar, só não sei se vou saber o que estou respondendo quando as encontrar. Agora vejo que meus desatinos são pior que todos os outros, (pelo menos em minha opinião), por que não sei o que aparentemente deveria saber.

Mas não vou ficar confundindo ninguém com minhas idéias malucas, não agora!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Pequenos desatinos- II


Paranóia permitida


Duvidava de tudo, até mesmo do que via. Vivia num completo estado de alienação, sonhando com mundos que não eram o seu, com pessoas que não conhecia, com uma vida que não tinha. Não era loco, não era apenas realista, nada que o mundo não pudesse contornar.

Queria ser pássaro, peixe, palhaço. Não era nenhuma dessas coisas, mas era feliz. Uma felicidade não entendida por muitos, mas desejada por todos...

Sabia ser feliz de uma maneira única, de uma maneira unicamente verdadeira e era só isso que importava, era só isso que deveria importar...

Um dia decidiu que mudar, que entraria para os padrões aceitos de normalidade... e mudou! Não para melhor, mas simplesmente para um estado comum de insatisfação, percebeu então que era incompleto, que todos eram e que não se dera conta antes pois não buscava o mesmo que os outros, em suas alucinações tinha tudo que queria.

Pensou um mudar novamente, em voltar a não acreditar em nada que não fossem seus próprios pensamentos... Não conseguiu. Era mais difícil agora, tudo parecia mais complicado e seus pensamentos já não eram mais como antes, eles já tinham se dado conta de muitas coisas.

Porque antes era tão feliz? Porque essa felicidade não seguia os rumos que seus pensamentos tentavam seguir. Porque buscava algo que para ele antes não fazia sentido?

Percebeu que o que o atrapalhava não era compartilhar da realidade e sim querer analisar todos os pontos dela, percebeu que pra voltar a ser feliz bastava apenas parar de pensar em ser feliz e sim viver.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Pequenos desatinos- I


"Não diga nada de olhos fechados"


Saiu e bateu a porta como fazia todos os dias, era um jeito de dizer que estava descontente com o que tinha sem abrir a boca. Estava descontente não só com seu emprego, com as coisas em sua casa e com seus amigos, faltava-lhe apenas a coragem de gritar para o mundo todo ouvir.

Escolheu um domingo de sol, dia das pessoas saírem às ruas para se distrair e outras coisas, um ótimo dia para passear, péssimo dia pra um escândalo. Escolheu o domingo e a rua mais cheia pra gritar seus desapontamentos. Foi chamado de louco, não era, não ainda, mas como contestar uma grande maioria que sussurra em couro inverdades assistidas.

Mas não se incomodou em ser chamado de louco, já devia ter sido chamado pelas costas de tantas outras coisas que já nem se importava mais. Aquele seria seu grito de desabafo e desejava gritar tantas outras coisas que isso não o incomodaria.

Pessoas e mais pessoas foram se aproximando do homem bem vestido que dizia barbaridades sobre sua própria vida e entre a maioria que dizia que estava louco misturavam-se seguidores religiosos e políticos de qualquer demonstração pública. Não entendiam o que aquele homem fazia contando tantas coisas sobre a sua vida a um bando de estranhos. O que nem ele entendeu depois de tamanho papelão.

Falava de olhos fechados, sem encarar seu público ouvinte, na verdade não falava pra eles, falava para si mesmo só que em voz alta, não era sua culpa se a vida alheia interessava tanto aos ouvidos públicos, pois ele mesmo não pararia a ouvir um tonto qualquer que fosse a chorar suas pitangas pelas ruas.

Quando caiu em si novamente abriu os olhos na esperança de que estivesse tão sozinho como uma folha que é jogada pelo vento, ou que estivesse apenas num sonho. Infelizmente pra ele e comicamente pra dezena de pessoas não era nem um nem outro. Pegou sua maleta que na empolgação de seu discurso deixou cair foi embora e ao chegar em casa bateu a porta novamente, dessa vez com mais força do que quando fazia ao sair, na esperança de que todo o resto do mundo desabasse a partir daquele instante ou que fosse tragado por um buraco fundo provocado pela batida.